No dia 24 de dezembro de 2010, a comunidade de analistas do comportamento perdeu uma importante colaboradora, a Profa. Dra. Mercedes Cunha Chaves de Carvalho.
Para quem teve o privilégio de conviver com ela, falar de seu currículo como fundadora do curso de psicologia da UFBA e colaboradora da estruturação da Análise do Comportamento no Brasil é muito pouco. Não se trata apenas da perda de uma figura histórica, mas da saudade de uma mulher que vivia plenamente tudo o que realizava.
Autores como Bertrand Russel e Skinner, no artigo “O que há de errado na vida cotidiana do mundo ocidental”, denunciam a apatia de um ocidente que desaprendeu a lutar por aquilo em que acredita e teme defender os ideais de transformação de uma sociedade em busca de relações mais equitativas.
Mercedes resistiu a tais contingências, exalando paixão ao difundir o behariovismo radical como instrumento de contestação. Em aulas repletas de emoção e engajamento, ela denunciava os artifícios por meio dos quais a coerção social se escondia atrás de discursos alienadores.
Reunindo características aparentemente irreconciliáveis, Mercedes era capaz de criticar ações sem reduzir as pessoas ao seu desempenho. Intelectualmente brilhante, tecia diálogos entre Foucault, Badiou e Skinner, ao mesmo tempo em que alfabetizava senhoras de comunidades carentes em Salvador (BA).
Acima de tudo, Mercedes comprovou que a ciência do comportamento pode representar um instrumento de transformação social, a despeito dos conflitos de poder. Por esse motivo, ela permanecerá uma fonte de inspiração para todos que tiveram a grata oportunidade de conhecê-la.
Texto elaborado pelos alunos da Profa. Mercedes, a quem a ABPMC agradece.

